Páginas

quinta-feira, 19 de maio de 2011

UM SENTIDO BÉLICO PARA AS COISAS BELAS

Hoje aconteceu a  estréia do curta "Um sentido bélico para as coisas belas " do dirtetor Afonso Nunes.
Foram exibidos outros dois curtas do mesmo diretor " A idade do Homem" e o documentário " Sentinela".
Não conhecia ainda o trabalho de Afonso Nunes e confesso que gostei bastante de sua produção. A idade do Homem remete a um universo onírico, introspectivo e às vezes inconsciente de um Homem, que metaforicamente  fechado em si, cercado por  janelas lacradas em paredes de tijolo cru , se vê perturbado por lembranças, sentimentos e desejos ora latentes, ora não revelados. Essa abordagem nos revela um  Homem Contemporâneo, em conflito, em reclusão , preso entre o passado, o presente e o não existente.   O documentário Sentinela é um resgate da memória do povo brasileiro. O Sentinela  é aquele que em vigília reza pelo  moribundo , pedindo a  intervenção de Nosso Senhor, ou seja, é aquele " que não deixa a vela apagar". A poesia do filme está no canto e nas  ladainhas proferidas pelas beatas. Está no olhar daqueles que esperam com serenidade  pela  breve partida. Um sentido bélico para as coisas belas é com certeza o mais ousado dos curtas acima citados, apresenta uma linguagem muito plástica. As animações e desenhos de Adriane Puresa conferiram uma estética  bem contemporânea ao curta. O muro, os diálogos incomunicáveis, os pensamentos desconexos expostos pelos personagens trazem  uma sensação de isolamento, de cerceamento. Estamos envolvidos e imobilizados  por arame farpado desde que nascemos e assim  nos tornamos seres por vezes  incomunicáveis e  incompreendidos.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário