Hoje aconteceu a estréia do curta "Um sentido bélico para as coisas belas " do dirtetor Afonso Nunes.
Foram exibidos outros dois curtas do mesmo diretor " A idade do Homem" e o documentário " Sentinela".
Não conhecia ainda o trabalho de Afonso Nunes e confesso que gostei bastante de sua produção. A idade do Homem remete a um universo onírico, introspectivo e às vezes inconsciente de um Homem, que metaforicamente fechado em si, cercado por janelas lacradas em paredes de tijolo cru , se vê perturbado por lembranças, sentimentos e desejos ora latentes, ora não revelados. Essa abordagem nos revela um Homem Contemporâneo, em conflito, em reclusão , preso entre o passado, o presente e o não existente. O documentário Sentinela é um resgate da memória do povo brasileiro. O Sentinela é aquele que em vigília reza pelo moribundo , pedindo a intervenção de Nosso Senhor, ou seja, é aquele " que não deixa a vela apagar". A poesia do filme está no canto e nas ladainhas proferidas pelas beatas. Está no olhar daqueles que esperam com serenidade pela breve partida. Um sentido bélico para as coisas belas é com certeza o mais ousado dos curtas acima citados, apresenta uma linguagem muito plástica. As animações e desenhos de Adriane Puresa conferiram uma estética bem contemporânea ao curta. O muro, os diálogos incomunicáveis, os pensamentos desconexos expostos pelos personagens trazem uma sensação de isolamento, de cerceamento. Estamos envolvidos e imobilizados por arame farpado desde que nascemos e assim nos tornamos seres por vezes incomunicáveis e incompreendidos.
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